Arte + Pensamiento / Máquinas&Almas (Portugués)


Máquinas e Almas

“A maior experiência é o mistério. É a emoção fundamental que se deita no berço da arte autêntica e da ciência autêntica”
Albert Einstein

Máquinas e Almas procura aprofundar o fato de que, no início do século XXI, arte e ciência seguem caminhos paralelos. E fazem isso por meio do trabalho de um grupo de artistas escolhidos por sua capacidade de dividir arte, tecnologia, mistério, emoção e beleza.

O elemento essencial na nova descontinuidade tecnológica é a nossa humanidade. Sem ela, todo o resto precisa de sentidos. Os computadores não pensam, apenas refletem pensamentos. Os computadores não sentem, apenas refletem nossas emoções. São, como define Sherry Turkle, o espelho psicológico onde nos admiramos.

Máquinas e Almas tem a vocação de cartografia que permite passar pelas principais estratégias e direções conceituais que existem hoje no vasto e híbrido território das novas mídias. Por meio de espaços, como a robótica, a criação de softwares e as ferramentas para a web social, a visualização da informação ou as biotecnologias, temos preocupações com as novas dimensões da identidade, a intimidade e o controle na sociedade, a transformação das noções de propriedade e colaboração, ou o fascínio por imitar os mecanismos da vida e da inteligência.

Os nomes presentes na exposição estão em um cruzamento muito específico. De alguma maneira, representam a geração de criadores – não apenas artistas – que determinaram os limites do discurso das novas mídias, situando-as além de seus inícios especulativos e construindo as bases de suas estratégias e linguagens. Suas vozes têm crescido com a expansão do espaço híbrido e apaixonante que ocupam.


Artistas presentes em Máquinas e Almas

THEO JANSEN
Strandbees
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O projeto que há muito existe, Strandbeest, do engenheiro e artistas holandês Theo Jansen, forma uma das abordagens mais importantes nas duas últimas décadas a respeito da discussão sobre os caminhos possíveis de encontro entre arte, ciência e tecnologia.
As “Strandbeest” (bestas da praia) de Theo Jansen são imensas criaturas robóticas de fisionomia e estrutura orgânica que passam com seus movimentos uma impressão forte da vida. À distância, poderiam ser confundidos com enormes insetos ou esqueletos de “mamutes” pré-históricos, mas são feitos com materiais da era industrial: tubos de plástico flexível, fita adesiva. Nascem dentro de um computador em forma de algoritmo, mas não exigem motores, sensores ou nenhum tipo de tecnologia avançada para ganhar vida. Movem-se graças à força do vento e da areia molhada da costa holandesa.

SACHIKO KODAMA
Protrude, Flow / Breathing Chaos / Sculpture Garden

As surpreendentes técnicas desenvolvidas nos projetos por Sachiko Kodama não têm precedentes nas práticas artísticas contemporâneas, dentro ou fora do âmbito das artes digitais. Seu trabalho é um exemplo de como a investigação científica pode expandir o vocabulário expressivo dos artistas atualmente.
O trabalho de Kodama se baseia no estudo e na manipulação de algumas substâncias concretas, os ferrofluidos, cujas propriedades são, aparentemente, quase mágicas. Os ferrofluidos são líquidos que, devido a seu conteúdo metálico, têm propriedades magnéticas, e reagem à proximidade de campos imantados com vibração e mudando de formato. Por meio de um sistema de informática, a artista controla a força desses campos magnéticos para avaliar com precisão a resposta do líquido.


BEN RUBIN / MARK HANSEN
Listening Post

Em suas colaborações, o artista nova-iorquino Bem Rubin e o cientista Mark Hansen, professor de estatística na UCLA e especialista em redes de sensores de meio-ambiente, exploram a criação de sistemas que visualizem os processos e dinâmicas subjacentes da sociedade-rede, revelando as arquiteturas de informação que, por meio da onipresença do código informático em todos os níveis da sociedade, mantêm, literalmente, o mundo em funcionamento.

DAVID BYRNE / DAVID HANSON
Song for Julio

Mais conhecido por sua atuação como música à frente da banda new wave Talking Heads, o nova-iorquino David Byrne desenvolveu uma produtiva carreira como fotógrafo, diretor de cinema e artista visual e de som nas últimas duas décadas. A partir dessa posição multidisciplinar, Byrne tem explorado a maneira com que as tecnologias das “mídias” (principalmente do “software” e os procedimentos de edição da imagem digital) constroem as estéticas que identificam o poder político e econômico.
David Hanson é o fundador da Hanson Robotics, uma inovadora empresa dedicada à criação de robôs antropomórficos que sejam capazes de reproduzir a expressão facial humana e compreender a linguagem oral.

CHICO MACMURTRIE / AMORPHIC ROBOT WORKS
Inflatable Architectural Body

Há mais de quinze anos, o grupo nova-iorquino Amoprhic Robot Works, fundado pelo artista do Novo México, Chcio MacMurtrie, cria esculturas robóticas antropormóficas e de traços animais que utilizam, em suas instalações e apresentações para expressar, por meio de seus movimentos, dilemas e conflitos da condição humana.
Em suas produções mais recentes, o Amorphic Robot Works iniciou uma nova linha de pesquisa, deixando de lado o metal como base de suas criações, e desenvolvendo novos robôs com materiais leves e estruturas infláveis.

PAUL FRIEDLANDER
The Enigma of Light / Spinors / Wave Function / Timeless Universe

Paul Friedlander levou mais de vinte anos pesquisando todos os tipos de tecnologias e procedimentos com o intuito de tornar a luz um material maleável e flexível que pudesse adquirir qualquer forma e volume. As “esculturas cinéticas de luz” de Friedlander são inspiradas no trabalho de outros grandes nomes que o procederam na arte da luz ou das estruturas em movimento, desde László Moholy-Nagy até Flavin, ou Turrell.
Em seus nomes, as esculturas cinéticas de luz de Friedlander fazem referência a diferentes aspectos da ciência moderna, desde a física quântica até a teoria de cordas. No entanto, sua construção estética e a recepção de seu trabalho pelos espectadores remetem, inevitavelmente, ao espiritual e ao mágico.

DANIEL ROZIN
Circle Mirror / Weave Mirror / Trash Mirror

Daniel Rozin cria instalações interativas e esculturas que têm a habilidade única de mudar e reagir à presença de um espectador. Apesar de os computadores freqüentemente serem usados em seu trabalho, quase nunca são percebidos. Espelhos e a percepção mediada do ser são os assuntos centrais no trabalho de Rozin. Na maioria de seus trabalhos, o observador participa, ativa ou criativamente, no desempenho de sua arte.
Durante mais de uma década, a arte de Rozin tem empregado uma grande quantidade de materiais, incluindo esferas de cromo, painéis planos de madeira e lixo das ruas de Nova York. A arte de software que relaciona performance em tela com processamento de vídeos em tempo real tem outro foco nos esforços de Rozin desde meados dos anos 1990. O trabalho de Rozin já foi apresentado em exibições do Israel Museum, em Jerusalém, John Michael Kohler Art Center, em Wisconsin, e em galerias bitforms em Nova York e Seul.

DANIEL CANOGAR
Palimpsesto

A obra de Daniel Canogar está entre o cientifico e o humanista; explora a forma com que os nossos sentidos se adaptam às novas coordenadas espaço-temporais da revolução eletrônica. Seu trabalho vai além da fotografia, sendo a luz uma parte essencial, como também o é a representação figurativa do corpo, elementos que poderiam aproximá-lo a uma eqüidistância entre a fotografia e a pintura.
Suas obras mais recentes introduzem elementos novos e definidores, como são a arquitetura e, de uma maneira mais ampla, o sentido do espetáculo. Seu projeto, de radical inovação tecnológica, fica relacionado à inevitável lembrança daqueles espetáculos pioneiros do cinematógrafo e das câmaras maravilhosas nas quais se projetavam imagens das primeiras fotografias.
 
RAFAEL LOZANO-HEMMER
Micrófonos, Subescultura 10

Como artista eletrônico, Rafael Lozano-Hemmer desenvolve instalações interativas em grade escala em espaços públicos, normalmente usando novas tecnologias e interfaces físicas personalizadas. Por meio da robótica, de projeções, sons, conexões da Internet e telefones móveis, sensores e outros dispositivos, suas instalações tentam criar “antimonumentos de reunião alienígena”. Seu trabalho em escultura cinética, ambientes interativos, instalações de vídeo e fotografia foi apresentado em vinte países.

JOHN MAEDA
Nature

Durante as duas últimas décadas, o artista, desenhista e professor nipo-americano, John Maeda, tem sido uma das personalidades mais importantes na exploração do potencial artístico e visual do computador como ferramenta, e do código de informática como material de trabalho. Em sua posição como fundador do fundamental Grupo de Computación y Estética del Medialab del MIT (1996-2003) Maeda tem promovido uma aproximação humanista à tecnologia que nos faz rever nossa relação com o meio digital.

EVRU
Tecura

Evru (cujo nome verdadeiro é Alberto Porta e é chamado de Evru desde 2001 e, anteriormente, de Zush desde 1968) tem seguido uma trajetória totalmente pessoal na qual predomina, acima de qualquer conceito, sua vontade de representar uma realidade que ele mesmo já conceitualizou no Estado Mental de Evrugo. Poucos artistas tiveram a capacidade de criar seu mundo paralelo dotados dos símbolos próprios de um estado independente.
Evru conheceu a arte muito jovem, com o galerista René Metras e atualmente trabalha em um work in progress interativo, Tecura, com base na premissa que o artista defende: “Arte para curar a si mesmo”; todo mundo tem um artista dentro de si. Evru, que trabalha com mídias tradicionais e com a tecnologia digital, também desenvolveu seu lado musical e performático. Um bom exemplo foi sua participação na primeira edição do ArtFutura (Barcelona, 1990).

E outros artistas.